Um fazedor de palavras que se calou.

O primeiro livro que me lembro realmente de ler com entusiasmo, foi “O gato que ensinou uma gaivota a voar”. 

Consegui encontrar bastantes semelhanças entre mim e a gaivota e a forma como a história estava escrita, transportou-me para aquele espaço mágico e transformador em que ação decorre. 

O mundo literário ficou mais pobre. Morreu uma grande alma que através da sua escrita nos fazia viajar por mundos nunca antes conhecidos. Luis Spulveda tinha uma vida tão rica de aventuras e mundo, que ele próprio era um romance.

Acredito que a escrita pode mesmo mudar o mundo, não só de quem a lê mas também o mundo de quem tem a generosidade de partilhar as suas ideias com os leitores. 

Luís Sepúlveda por meio da sua escrita transmitia exatamente isso: Revolucionou o mundo com a suas obras, mas à medida que as ia escrevendo elas colocavam também o seu próprio mundo em perspetiva e reflexão.

Foi sem sobra de dúvida um símbolo de resistência lutando contra um regime ditatorial. Sem medo e com as suas convicções sempre presentes apesar de todos os tempos tumultuosos pelos quais passou. 

Realmente a vida por vezes pode ser muito traiçoeira. Para quem tanto resistiu, como se explica que uma porcaria do vírus imponha a sua força e brevidade? É triste. Dá que pensar que em segundos a vida muda e nada será como era antes. 

Nesta fração de segundos, vão-se as almas boas. Se é justo? Não. Ainda assim, a vida é uma simples passagem que só pessoas com almas bonitas conseguem aproveitar e descodificar. 

A obra que Luís Sepúlveda nos deixou é intemporal e transformadora. Tal como ele deixou escrito: “Somente aqueles que ousam podem voar” por isso vamos aproveitar a vida a aprender a voar pois só assim podemos aprender com ela”. 

Tive a sorte de poder falar com ele, era muito sereno e tranquilo, olhava mais do que falava porque para Luís Spulveda a comunicação era a palavra escrita com o encanto que nem todos conseguem expressar no texto escrito. 

Fica a sua obra que se pode reler sempre e sempre.

Rita Bulhosa

Um comentário em “Um fazedor de palavras que se calou.

  1. Isabel Responder

    A vida è uma dádiva e o importante é sabermos aproveitá_la… Não sabia que te dizer…. Gostei de te ler

    Um abraço

    Contínua …

    Isabel 💙

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