A hipocrisia do mundo.

Nestes dias em que fico mais comigo, aliás, são dias em que cada um de nós se fecha no seu casulo (em todos os sentidos) vou-me apercebendo da hipocrisia do mundo, de todos e de cada um e para a qual todos nós de alguma forma fomos contribuindo.

À medida que vamos crescendo, apercebemo-nos que o mundo e as pessoas por muito boas intenções que tenham, acabam por, em algum momento da sua vida, ser assim.…hipócritas.

Não porque não possam escolher outro caminho como, o a da justiça e da igualdade, mas porque é mais fácil ser assim – hipócrita. Não por mal, simplesmente porque dá trabalho e pode até causar sofrimento ser a ovelha negra e a “chata”.

Quando temos anos de luta em que nada nos é garantido para além de sabermos que cada vitória nos saberá melhor do que a anterior, sabemos que o mundo como diz o ditado “é para espertos” não para justiceiros. É como se um mundo e as nossas relações com os outros, passassem também por ter que decifrar aquilo que a sociedade acha que devemos sentir e até a forma confusa como devemos agir. 

Parece quase que temos de entrar num jogo de teias indetermináveis em que não nos é permitido dizer o que sentimos e não podemos agir conforme achamos certo, porque não fica bem “aos olhos dos outros”.

Penso que a pandemia veio mostrar, uma vez mais, que não estamos treinados para a empatia natural, preocupada pelo seu semelhante, mas sim e mais do que nunca, reina a indiferença.

Na verdade, para quem conseguir ir mais além e perceber que o mundo só é mais humano e harmonioso, se a empatia existir, chega a sofrer por si e pelos outros. Por si, em primeiro lugar, porque por muito que já tenha vivenciado a falta de empatia acaba por sentir que aquela situação em particular foi única, inédita e inacreditável. Pelos outros, aqueles que não têm uma voz individual e suficientemente forte para se fazer ouvir. Os que enfrentam e assumem-se como defensores dos que precisam, sofrem e sentem-se mais desemparados do que nunca.

De facto, não são todos os que conseguem colocar-se na pele do outro. Por desconhecimento de causa, por falta de sensibilidade ou até porque preferem julgar o outro, em vez de partilhar das suas fragilidades.

Neste sentido, todos nós já fomos um bocadinho que seja – hipócritas. Por vezes, apetece-nos fazer do mundo um lugar melhor, mas faltam-nos as forças e até a inteligência emocional para entender que por muito que tenhamos todo o conhecimento de causa, é complicado lutar e pensar fora da caixa e até diferente do resto do rebanho que nos rodeia diariamente.  

Depois da revolta e da nossa incompreensão do mundo, voltamos a luta de energias renovadas e com a ingenuidade ou a fé inabalável de sempre que nos leva mesmo a acreditar que podemos mudar mundo.