Quando estava a escrever e decidir qual iria ser o tema do meu conto para uma escrita criativa decidi escrever sobre ti. Sobre mim. Sobre todos nós enquanto família e todo o amor que nos unia.

Acho que na verdade escrevi sobre este tema, não por ter qualidade artística, mas porque precisava de gritar e tentar amenizar a dor interior, que sinto desde que te perdi de vista.

Foste a primeira e mais importante, pessoa que perdi. Na verdade, ainda hoje não tenho palavras para tudo aquilo que aconteceu, perdemos-te numas horas.

Acredito, que na hora da tua partida, estavam contigo as pessoas mais importantes e que são ainda agora, os mensageiros do amor que sentimos todos uns pelos outros e mais concretamente os representantes do sorriso e das tuas reconfortantes gargalhadas….

Que feliz que iam ficar por saber que os teus netos mais velhos (O Ricardo e Quico) já são “homens  feitos” e estão a fazer aquilo que mais gostam. Que feliz ias ficar por saber que eu entrei para universidade…

Gostava de me ter despedido de ti, nem que a despedida fosse só um único segundo, não deu. Fico triste, mas ainda assim feliz e serena porque partiste rodeado de amor e também com muita serena.

Foste renovar a carta de condução (era isso que ias fazer no dia da partida) para o outro lado do caminho…embora desconheça esse outro lado acredito na sua existência, e cada vez mais me convenço que a passagem pela terra é uma transformação para sermos cada vez melhor e evoluirmos para algo muito superior aquilo que está ao nosso alcance. Penso que há algo para além disto que transcende a todos nós habitantes deste planeta mesmo bonito que é a Terra.

Agradeço todo o amor que me deste e transmitiste a toda a família.

Amo-te com todas a forças (até aquelas que não estão perante os nossos olhos!) para sempre. Celebrarei sempre a vida em tua homenagem. Onde estiveres, descansa e sorri com o teu melhor sorriso que é eterno.

 

 

Lembrar-me-ei sempre destas palavras que me disseste, uma vez, enquanto brincávamos e que eu transportei para uma das personagens do meu conto.

 

“-(…) o que achas que acontece quando nos tornamos uma estrela no céu?

– Não sei, minha neta…

-Talvez daremos lugar a uma planta bonita”

– Como assim,avó?

-Então,nós já não estamos mas podemos transformarmo-nos em sementes atiradas à sua sorte na terra, que eventualmente poderão dar uma árvore bonita…”

A avó Rosa interrompe e diz:

-Oh homem, não ensines essas fantasias à menina.

Nem sei porque dizes isso, ninguém fica cá para semente, achas mesmo que vais ser a primeira pessoa?

– Oh Rosa, eu sei que não…, mas a vida é tão bela para quê dar-lhe um final triste?

– Alegra-te, mulher, que a vida são dois dias…”