Quase diariamente, tenho conversas de loucos. Já,  que estou agora a iniciar a escrita argumento,  um dos temas será certamente, este tipo de conversas que não têm pés, nem cabeça, mas pelas quais tenho de passar quase diariamente.

Reajo mal, MUTO MAL a isto. Sinceramente, nunca sei se deixar as pessoas na ignorância é melhor, para não me ter de chatear…ou se as devo ensinar que não se deve agir assim, de maneira alguma…

Há duas personagens principais, eu e a minha mãe(ou outra pessoa que esteja comigo no momento).

Sempre que vamos a uma loja ou algo do género….A minha mãe passa a assumir a minha personalidade. Ahahaha

-“Olhe será que a menina gosta?” e eu fico ali no meio a fazer de conta que não percebo e respondo:-“SIM GOSTO!

Uma coisa que as pessoas raramente percebem, é que pelo facto de estar numa cadeira de rodas- não quer dizer que não fale ou até que não tenha entendimento daquilo que me rodeia. Aliás, acho eu, até me expresso bastante bem e “falo pelos cotovelos”.

Como é obvio, percebo que as pessoas, por vezes, não saibam como reagir perante uma cadeira de rodas. É normal. Eu própria nunca sei como reagir a uma coisa que seja nova para mim. Não é isso que aqui está em causa porque na mesma situação, cada um tem reação distinta.  O que está aqui em causa é o facto das pessoas simplesmente não agirem com naturalidade…. e, sobretudo, fazerem juízos de valores precipitados sobre a pessoa que têm diante de si, naquele preciso momento.

Já não tenho propriamente 5 anos…Logo, é normal que já pense pela minha cabeça e que saiba responder sobre a minha vida melhor que ninguém, certo?

Por exemplo, a minha mãe, além de ser minha mãe, é também minha cuidadora. A minha condição física faz com precise sempre e para o resto da vida da ajuda de alguém para poder fazer as minhas tarefas diárias. A verdade é que  em casos como o meu, tanto o cuidador como a pessoa que é cuidada têm a sua vida. cada uma sabe de si. Cada uma responde por si. Lá por uma viver em função da outra, digamos assim, não quer dizer que uma das pessoas se anule…é claro que o cuidador tem de fazer algumas escolhas e tem de moldar o seu próprio projeto de vida ás circunstâncias que nem sempre são as mais sorridentes….

 

Porém, as individualidades de cada um nunca se anulam ou pelo menos não devem, por isso é que fico mesmo incomodada com isto…

Tenho para mim que as pessoas não entenderam, ainda. Quando querem saber coisas sobre mim perguntam há minha rica mãe: – “Olhe ela gosta?”  “Olhe ela quer isto?” tudo isto como se eu não estivesse mesmo ali naquele momento. Isto é não conversa de lucos? Quando me acontece isto na presença da minha mãe já temos um código que é perguntam-lhe a ela e eu respondo. Na maior parte das vezes a pessoa que estiver comigo faz sempre com que eu responda, na verdade toda a gente que convive comigo já sabe o “tal código”. Não deixa de ser um código de tolos, mas é a única solução de convivência e entendimento.

O segredo nestas situações, como os mais pequenos já estão fartos de saber, é a naturalidade. A naturalidade é tudo na vida e pode facilitar a convivência entre todos.

 

De facto, por vezes, nos fazer bem pensar duas vezes antes de agir, o melhor é agir com naturalidade.