Sempre tive fé na vida e em tudo aquilo que nela acontece. Sei, porque sinto, que nada, mesmo nada, acontece por acaso.

Tudo tem a sua ordem, tudo tem um ciclo, tudo começa e tudo mesmo sem darmos conta, acaba. Ou quem sabe começa num outro sítio que cada um de nós desconhece, mas certamente, há de  existir.

Este meu pensamento ainda se fortaleceu mais desde que o meu avô António Augusto partiu para “outras viagens” longe do olhar.

A partida dele foi sem aviso. Numas horas, poucas, tudo mudou. E todo o nosso mundo enquanto família desabou de tristeza. Para mim foi a primeira vez que senti uma pessoa muito próxima partir. Querem saber?! Tenho mesmo muitas saudades dele. Tantas que fazem com que pareça que tenho uma ferida aberta que nunca cicatriza. A saudade dói muito, mais do que alguma vez imaginei.

Fico feliz quando toda a gente me fala dele com um sorriso aberto, acredito que certamente era assim que ele gostaria de ser lembrado. Mas a vida continua e ele mantém-se vivo na nossa memória.

Digo-vos que só tive noção do que é o verdadeiro amor desde que o meu avô partiu. Ele e a minha avó Laura viveram juntos mais de 50 anos. Companheiros de uma vida que embora não o demostrassem de forma efusiva, eles tinham um amor e companheirismo único.

A verdade é que a minha avó nunca mais foi a mesma. Pouco mostra o sorriso e passados quase três anos continua num luto dorido.

Tenho a certeza que o meu avô não queria ser lembrado com luto, ainda assim compreendo que a minha avó não está preparada para o deixar. Todos temos o nosso tempo, todos temos as nossas crenças. Há que respeitar.

Dos meus avós (paternos) tenho as melhores memórias e com eles construi as melhores histórias. Estávamos quase diariamente juntos. Eu, a minha avó e o meu avô, sempre fomos cúmplices nos almoços de sábado e nos petiscos que o meu avô me preparava, a minha avó não achava muita piada, porém o que fazer perante dois animados “bons garfos!?

Ainda me lembro das vezes em que tinha as conversas mais filosóficas de sempre com o meu avô, das histórias que me contava da sua juventude e anedotas que ele inventava antes de eu adormecer. Aliás lembro-me até da minha avó dizer: – “Oh Tono Augusto já são mas é horas da miúda dormir! Não sejas tolo!” Lembro-me como se tivesse acontecido agora. Estou a ouvir lá no fundo como uma gravação que não quero apagar.

Dos meus maternos gostava de ter muito mais memórias. O avô Sílvio também muito bem-disposto, tal como o meu avô António Augusto, segundo me dizem levava uma vida social sempre em festa, sempre com uma anedota na ponta da língua. Partiu cedo de mais para mim que ainda não tinha maturidade suficiente para o conhecer verdadeiramente. A minha avó Laurinda embora não esteja sempre com ela também a trago no coração.

Deixo aqui esta imagem linda dos meus avôs paternos. “o Tono Augusto” (como ela o chamava) e a sua Laura.

As recordações e memórias são o que de melhor podemos guardar para sempre. Valem mais do que prendas valiosas, objetos datados e que referenciam tempo. Já aquilo que guardamos de afetos e recordações sorridentes, ganha mais valor com o tempo, aquece sempre o coração.