Já ando há algum tempo para escrever este texto, mas tenho-me contido para não ferir suscetibilidades, mas agora tenho mesmo de escrever até porque estou nos 18 e cada vez mais a pensar no meu futuro.

Ando há quase 18 anos neste mundo e o investimento financeiro em mim nunca pára…É melhor nem fazer as contas para não me assustar.

Já nem falo de terapias onde os gastos ao longo dos anos já vai grande, mas vale a pena e os meus pais fazem sempre mais esse esforço financeiro por mim…

Apoios?! Nada. Há 18 anos que os meus pais me pagam a fisioterapia. Há 18 anos que me pagam cadeiras de rodas, andarilhos…tudo e mais alguma coisa para meu bem.

Agora que cade vez mais tenho noção do dinheiro e do quanto ele custa a ganhar, custa-me vê-los a gastar tanto dinheiro, por coisas que são essenciais no meu dia a dia mas que nem metade do dinheiro que custam valem mas quem precisa nada mais pode fazer do que pagar.

 

 As ajudas técnicas são a um preço incomportável. As respostas do estado chegam tarde. O que nos resta? Pagar claro, como se as ajudas técnicas fossem algum bem de luxo.

Os meus pais com esforço e ginástica financeira, têm conseguido investir em todas as ajudas técnicas que vou precisando. Os preços são inacreditáveis. “Ah e tal!…  precisas de uns sapatos ortopédicos? São X” “precisas de umas talas?Custa Y” “precisas de uma cadeira de rodas?” Esperas que a segurança social dê resposta (que pode demorar ANOS) ou então pagas e não se fala mais nisso.

 

É assim que são feitas as coisas.

E está certo? Claro que não!

E quem não tem capacidade financeira ou até intelectual para debater as injustiças e suportar gastos que nunca mais acabam? Vai-se calando e muito custo vai suportando uma situação que na verdade é mais do que insuportável…

 

Há uma expressão que diz “coitado de quem precisa!” não me considero coitadinha nenhuma, mas a verdade é que os mais  frágeis e quem precisa de mais apoio são os primeiros a terem de se desenrascar sozinhos…Ou no escuro, porque por muito que haja suporte familiar, as repostas que deveriam chegar o mais breve possível, chegam o mais tarde possível.

 

Aliás até vos digo mais, se as burocracias fossem tratadas mais rapidamente , as coisas até eram mais simples, e chegam mais rápido, ou melhor, no tempo certo.

Falando no caso das ajudas técnicas, e uma vez que até aos 18 anos estamos sempre a crescer e as coisas (cadeiras, andarilhos canadianas, etc..) deixam rapidamente de nos servir, mas ficam praticamente novas….A nível nacional não poderia existir uma espécie de “banco de ajudas técnicas” onde os cuidadores poderiam entregar aquilo que já deixou de servir trocando por outra ajuda técnica do mesmo género, mas  maior?  Era uma espécie de troca. Porque todas a pessoas que necessitassem de ajudas técnicas, estavam as ajudar-se mutuamente.

Eu própria já dei, as cadeiras e andarilhos que me foram deixando de me servir. Ofereci com agrado e um sorriso a quem mais precisa, miúdos e miúdas meus / minhas amigas.

Porque razão isto não se pode fazer mais vezes? Numa escala mais alargada? As necessidades vão mudando, porque razão é preciso comprar sempre novo se nada é definitivo? Eu não digo que se possa usar esta estratégia como sistema, mas porque que não pode ser utilizada pelo menos em quanto as respostas do estado não chegam?

Das duas uma ou sou muito sonhadora e isto é uma situação inconcebível ou quem devia pensar nisso ainda não pensou porque porque nem sequer se preocupam com tal coisa.

O que pensam de tudo isto?

Eu nem sei que vos diga, cada ajuda técnica responde às necessidades de cada criança e por isso quanto mais rápida a resposta melhor….A verdade é enquanto as respostas não chegam lá ficam os pais a pensar como hão de fazer mais uma ginastica financeira. É UM SOFOCO CONSTANTE imagino eu que ando à 18 anos nestas andanças.

 

Um beijinho enorme a todos os pais que estão nesta luta que é constante. Estamos juntos <3