Há dias li que as pessoas resilientes também choram e também ficam deprimidas…
Nada mais certo do que isto.
Costumam dizer-me que sou uma miúda resiliente que até gosta de dar luta à vida e ás dores que ela costuma provocar, mas muito sinceramente, ás vezes, dá vontade de baixar a guarda e deixar que a vida me vença na luta. Mas sou mais forte.
Sinto-me com toda a legitimidade para isso, até porque não é porque já sofri que vou ter mais facilidade de lidar com o sofrimento do que as outras pessoas.

Uma coisa é a aceitação. Outra coisa é o sofrimento.
Lá por me aceitar não quer dizer que ache que o sofrimento também faz parte da aceitação.

É certo que o sofrimento também nos ensina. Mas não tem de ser aceite sem nenhum tipo de interrogações

Não me considero uma miúda fingidora, acontece que existem momentos, em que não há outra opção senão fingir que está tudo bem…
Por tudo. Pelas circunstâncias. Pelos que nos rodeiam. E até pela nossa própria saúde mental.
Isto pode parecer estranho, mas não há nada mais verdadeiro, por uma razão simples quando estamos a passar por momentos de extremo sofrimento (quer físico quer psicológico), o melhor mesmo é fazer de conta que nem damos por ele a passar mesmo diante de nós porque quanto mais nos convencemos que estamos a sofrer cada vez é mais difícil que o sofrimento se dissolva. E aos poucos vá passando.

O pior de tudo é que depois de algum tempo nem sempre nos sabemos distanciar suficientemente bem dos nossos medos provocados pelo sofrimento que na realidade passámos.

Eu que sou a miúda mais sorridente deste mundo (dizem vocês) passado um ano e tal da cirurgia (à coluna) só agora e aos poucos é que estou a conseguir dissipar os medos e somar vitórias.
Parece impossível (para mim) como é que mesmo passado um ano e meio, o corpo ainda não esteja totalmente restabelecido….
Principalmente desde que fiz 18 isto tem me valido uns quantos choros.

Acho que não há mal nenhum em admitir isso.

Não quer dizer que tenhamos de viver única e inclusivamente para o sofrimento. Não devemos dar-lhe atenção nenhuma, até!
Porém quando nos bate à porta devemos admitir que realmente o melhor é tirar umas férias. Lutar sempre e sempre também cansa. Ainda assim, logo que possamos voltar a lutar, devemos continuar a lutar ainda com medos, sendo sinceros e razoáveis com a nossa própria alma

Sinto que só agora estou a dar tréguas a mim mesma.

O facto de me sentir bem com o meu corpo e com a condição que me faz diferente de todas as outras miúdas, nunca em momento algum sofreu atrações.

O que mudou depois de me estar a restabelecer de todo este turbilhão de emoções foi o facto de não guardar tanta coisa na minha alma só para mim. Ela não precisa de ficar assim tão carregada, até porque também tem toda a legitimidade para se chatear.

Escrevi este texto para ti que, embora o faças quase sempre, não tens necessidade de dizer que está tudo bem.
Só quando perceberes isso é que realmente poderás dizer um verdadeiro: está tudo bem!

E eu, estou muito feliz por poder dizer agora (que já estou mais leve). Está tudo bem

Até ao próximo post


 

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