Uma amizade voadora – por Soraia Neves

Hoje vou falar de inspirações. Todos temos as nossas, não é verdade? A minha grande inspiração é uma grande amiga minha que é um pouco mais nova do que eu. Ainda tem dezasseis anos, está para fazer dezassete, mas pensa como se já tivesse dezoito. Na verdade, foi ela quem, ainda que sem o saber, me inspirou a fazer esta coleção de textos, pois ela já havia feito algo igual, mas que teve repercuções que o meu trabalho jamais terá. O seu nome é Ana Rita, mas todos em seu redor lhe chamam Rita.

Os nossos cientistas dizem que as estrelas são astros, e com isso eu concordo, mas nunca disseram que as pessoas também podiam ser estrelas. Pois eu posso dizer que conheço uma estrela que não é um astro. Esta é uma estrela muito especial, que supera todos os obstáculos que a vida lhe põe à frente, que não se deixa afetar pelo que os outros dizem sobre si, e que luta por tudo aquilo em que acredita, nunca desistindo apesar das quedas. Diz que o medo nunca a vai dominar, acredita que todos os  que são “diferentes” são “livres como as borboletas”, e, adora borboletas, precisamente por achar que elas são livres.

Conheci-a na escola primária, onde andámos juntas até ao meu quarto ano, e nunca mais perdemos o contacto. Fomos sempre estando juntas quando podíamos, mas houve um dia em que ela me surpreendeu com um texto que tinha escrito à cerca de mim na coleção de textos que já tinha na sua página de facebook. Naquela altura não teve tempo de mo mostrar, pois eu já estava quase a ir embora, mas, tempos mais tarde, soube pelo pai dela que ela iria escrever um livro, onde juntaria todos os textos que já tinha escrito na sua página. O texto sobre mim, do qual eu já tinha tido conhecimento mas ainda não tinha lido, estava incluido na coletânia de textos selecionada por ela para o livro, e fiquei muito contente quando me pediram para a surpreender com uma leitura feita por mim do texto no dia do lançamento do livro. Quando o li pela primeira vez, fiquei muito emocionada com o gesto dela. lembrava-se de coisas que eu lhe tinha dito quando éramos pequenas, de conversas que tínhamos tido ha alguns anos atrás, de coisas que nem eu própria sabia que tinham tido importância para ela na maneira como me vê.

Agora que também eu tenho uma coleção de textos como ela, embora que de maneira diferente, dicidi retribuir-lhe o texto que me escreveu, escrevendo também um texto para ela e sobre ela. sei que não se compara nada com o que ela me dedicou no seu livro, mas dei o meu melhor para mostrar que a diferença não impede uma grande amizade. A minha cegueira e a parelisia cerebral dela não impediram que nos tornássemos grandes amigas, pelo contrário, fizeram que nos ajudássemos uma a outra, tornando-nos assim mais unidas. Todos os que nos viram em pequenas ficavam sempre admirados connosco, tentávamos apesar de tudo, ajudarnos uma a outra, para que nenhuma se magoasse ou outra coisa qualquer. Uma das coisas que eu achava engraçado nela é que gostava, e por vezes ainda gosta de me arranjar o cabelo, embora eu estivesse, e ainda esteja sempre a dizer-lhe que não era preciso. Quem fala da diferença como um obstáculo está muito enganado. A diferença não é uma barreira, mas apenas um pequeno assunto que não interessou nada a duas crianças de sete anos que brincavam no recreio da sua escola da primária, e ainda não lhes interessa hoje em dia, que já estão mais velhas e não têm tanto tempo para estarem juntas.

Por isso, Rita, nunca te esqueças do quão incrível é, e mantém sempre essa força que tens, e que contagia todos os que estão à tua volta. Eu sinto-me uma priviligiada por te ter conhecido, e por teres sido tu a pessoa que me inspirou a fazer esta espécie de diário, como eu lhe chamo. Obrigadda por ttudo o que me tens ensinado.

Peço desculpa por esta divagação ao falar da minha inspiração, mas é impossível falar de alguém sem nos dirigirmos a essa pessoa.

Espero que todos gostem deste texto.

Volto a escrever quando tiver mais para dizer

S.N.

Um comentário em “Uma amizade voadora – por Soraia Neves

Os comentários estãos fechados.