Paralisia Cerebral: Proibido não conseguir

A paralisia cerebral entra-nos pela porta quando menos esperamos. Entra sorrateira, sem bater, sem ser convidada. Impõe as suas regras, põe e dispõe e finge-se desejada, instalando-se toda a vida num corpo que teima em não obedecer.

Foi essa visita indesejada que recebemos há quase 11 anos. Aproveitando-se de um parto muito difícil, instalou-se sem pudor e veio para ficar. Para impedir a Maria de andar, de falar ou de aprender. Para lhe impor descontrolo de movimentos ou lentidão de raciocínio. 

Mas não venceu. Porque não cruzámos os braços. E conseguimos contrariar uma parte do destino traçado, numa luta que não pode dar tréguas.

Neste caminho, ser mãe de uma criança com paralisia cerebral é uma aprendizagem constante e uma panóplia de sentimentos e de experiências.

É chorar de tristeza quando a força nos falta e chorar de alegria pelas lições de vida que ela nos dá.

É rir com qualquer pequena vitória e dar gargalhadas quando percebemos o seu sentido de humor.

É não saber qual o melhor caminho a seguir e viver numa busca incessante por outra solução.

É desejar constantemente trocar de lugar ou de sofrimento com ela e aprender a ser melhor com a sua coragem e tenacidade. 

É sentir o nosso coração desfeito pelo seu pequeno coração perceber a diferença e encher-nos de orgulho quando nada faz a nossa filha desistir de tentar. 

É lutar pelos seus direitos e exigir que a tratem como igual.

É ensinar e aprender que só não consegue quem não tenta. E que sempre se consegue tudo, ainda que de maneira diferente.

Mas é, sobretudo, sentir-me uma super mulher pela força da natureza que tenho em casa.

Teresa Coutinho, mãe da Maria

4 comentários em “Paralisia Cerebral: Proibido não conseguir

  1. Isabel Responder

    Muita força e coragem que independente de tudo, ninguém é perfeito. Um abraço e muitas felicidades..

  2. Maria Rosa Teixeira Responder

    Admiração é o que sinto . Que continue sempre com a mesma coragem e o mesmo amor.

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