As nuvens coloridas da Alma

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“Tens o mundo à tua frente” – Dizia-me ele á dias.

Logo acrescentei: – “Tenho amizades reciprocas, – Tenho momentos de felicidade constante.

Tenho a sorte de poder contar esses tais meus momentos ao mundo. E o mundo em seguida contar-me também os seus momentos, gerando assim, cada vez mais partilha.

Tenho mesmo uma vida cheia.

A verdade é que, estou farta de saber que ele, esse meu mundo, está diante de mim, cheio de emoções para serem vividas.

O que não posso garantir é que vou conseguir vê-lo sempre com a mesma objetiva, o mesmo foco. Apenas posso dizer que vou tentar que isso aconteça a maior parte das vezes.

Mas pronto…. Agora vamos lá deixar-nos de formalismos, o certo é que isso de ver o mundo sempre da mesma objetiva não é assim tão linear.

Umas vezes, logo ao amanhecer do dia, vejo o mundo de forma serena, muito embora ele contenha algumas nuvens e isso provoque nevoeiro, que por sua vez, faz com que o céu fique “pintado” de cinzento. O cinzento só por si, transporta um semblante tão pesado, que quando os dias estão nublados nem sequer é preciso olhar para o céu para perceber isso (traduzindo: nestes dias, o meu mau humor nota-se mesmo sem precisarem de me dirigir a palavra)

Outras vezes, tudo muda após o amanhecer, finalmente o sol impõem-se perante as nuvens, a sua luz faz com que as almas alheias procurem sempre um caminho repleto de luz e que provoca sorrisos “de orelha a orelha”.

Esta é a realidade. Até porque, lamento informar, a vida não é nada parecida com os contos de fadas da Disney!

Se vos disserem que é estão a mentir! E eu, uma vez que, detesto mentir, estou mesmo a dizer a verdade.

Sim! Conforta-me imenso saber que tenho o mundo diante de mim e que ele tem muitas coisas boas para me dar, mas não vou dizer que também não tenho dias maus…porque a verdade é que os tenho, todos temos.

A minha sorte é que esses dias maus, essa tristeza não invade a minha alma por muito tempo porque eu não deixo mesmo.

Até porque as lágrimas não regam flores. Por incrível que pareça às vezes quando me caí uma lagrima ou outra – e em seguida passa a ser aquele choro de soluçar – chega a um certo ponto que eu já me rio só por estar a chorar. Conclusão a minha alma naquele momento fica uma baralhação.

E quase e forma automática lá aparece o sorriso novamente.

Passado uns dias ou até umas horas após ter feito aquela “figurinha triste” (mas legitima) só me rio de mim própria, e acima de tudo consigo arranjar uma explicação para esse choro repentino.

Então para mim, tudo tem uma lógica e o choro não é exceção.

A verdade é que chegou a hora de pôr os neurónios a funcionar.

Não sei se já pensaram nisso, mas reparem quando chove, antes de chover as nuvens precisam de encher para que a precipitação aconteça de seguida, certo?

Pois bem, cá para mim, com o choro acontece exatamente a mesma coisa!

Imaginem só, que a nossa alma transporta consigo uma nuvem, mas ao invés do convencional esta nuvem é uma nuvem colorida tal e qual o arco iris, conseguem imaginar? E agora se vos disser que a nossa alma (que de vez em quando traz consigo uma nuvem colorida) também é construída a partir do mundo e das nossas vivências? Conseguem acreditar? (prometo que no fim o Puzzle vai encaixar direitinho)

Porém, essas tais vivências vão evoluindo e consequentemente vão mexendo cada vez mais com os nossos sentimentos… essa evolução fica registada na nossa alma que como já tem tantas atualizações feitas precisa mesmo de um novo cartão de memória para ter mais espaço para novas atualizações.

O tal cartão de memória que neste caso é a nuvem colorida, fica de forma tão repentina cheio que tem de esvaziar. E é exatamente, neste momento que as lágrimas aparecem e quase sem querer nos percorrem o rosto.

Portanto, tomem nota, quando as lágrimas vos percorrerem o rosto é sinal que a vossa alma fez tantas atualizações seguidas que nem a vossa nuvem colorida teve capacidade suficiente para acompanhar a evolução dela e superar a pressão.

Não deixem é que a vossa nuvem esvazie de forma contínua num curto espaço de tempo porque, têm o mundo à vossa frente para ser conquistado e é essa conquista que deve ser feita de forma alegre e com muitas risadas e não com poucas gargalhadas e muitos choros. Tudo tal como o mundo em que habitamos tem um peso e uma medida. Somos nós que temos de saber estabelecer esse peso e essa medida na nossa alma.

É essa a minha preocupação, balancear os pesos das nuvens que vão pairando.