A nossa amizade-por Ana Matos

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Querida Rita: Não me lembro como comecei a ler as tuas palavras, porque sinceramente parece-me que te leio desde sempre. Recordo-me, no entanto, do dia em que resolvi escrever-te, a dizer o quanto te admirava… A tua força, vontade, DETERMINAÇÃO, alegria contagiante, inspiram qualquer um. E sem saberes, aqueceste o meu coração em dias menos bons… Já te lia, mas depois da minha borboleta Leonor (que nasceu muito prematura) ter voado e me ter deixado apenas com a saudade, a tua pessoa ganhou um valor ainda mais especial para mim. Em primeiro lugar, és também fã de borboletas, e isso vale logo muitos pontos. Depois, és uma guerreira como ela e nasceste também antes do tempo. Que apressadas vocês as duas me saíram! E depois, tens paralisia cerebral. Não é, de todo, o que te define na pessoa extraordinária que és, mas sendo uma das possíveis sequelas dos prematuros, nunca deixei de pensar que a minha pequena Leonor, se tivesse querido ficar connosco, poderia tê-la também. E pensei mil e uma vezes: se assim fosse, quem me dera que a Leonor tivesse sido como tu! És um exemplo, Rita. Sim, a paralisia cerebral dá-te voz para poderes falar sobre a diferença com conhecimento próprio, para lutares por ti, pelos teus, e também por quem nunca viste mas sabes que existe por esse mundo fora. E fazes isso tão bem, princesa! Se a Leonor tivesse tido paralisia cerebral, adorava que tivesse sido como tu. Se não tivesse tido paralisia cerebral, adorava que fosse como tu também! Mas bem…dizia eu que me lembro do dia em que resolvi escrever-te. Poucos dias depois respondias-me com o teu tom terno e amigável, demonstrando-me aquilo que eu no fundo já sabia: uma pessoa acessível, sincera e amiga. Sabes, lembro-me de onde estava e o que estava a fazer quando li a tua resposta. E lembro-me de dizer, animada, ao meu marido: “A Rita respondeu!”. A partir daí foram longas as conversas e cumplicidades que partilhámos, e construímos uma amizade que perdurará.

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A nossa diferença de idades nunca se manifestou (também não é assim tanta!) mesmo eu sendo uma das “adultas” com quem facilmente estabeleces amizade… Sabes, querida Rita, não é nada fácil cativar tantas pessoas mais velhas de forma tão genuína! Mas tu tens a maturidade necessária (e mais ainda!). Voltaste a dar-me todo o teu apoio na gravidez do meu Leonardo, e acreditei sempre em ti quando me dizias “Vai tudo correr bem”. E claro que tinhas razão! E quando soube que ele iria nascer com uma malformação nos dois pezinhos, OBVIAMENTE que também acreditei em ti e na tua fé: quem melhor para me compreender e animar? E agora, bem que o Leonardo adora a tua voz, sempre que vemos as tuas participações em programas, bem como as tuas fotos que lhe mostro, e sem dúvida a tua presença e colinho!

 

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E um dia (se não já) também ele acreditará em ti quando lhe disseres que tudo vai correr bem. Tens tanto para lhe ensinar, como me ensinas a mim! És uma inspiração, minha princesa borboleta. Já to tinha dito? Sim, acho que sim… sou mesmo chata, hã? Um abraço daqui até aí onde estás, que ainda é longe mas a amizade faz perto. E não há-de faltar muito para esse abraço se concretizar de novo fisicamente. Obrigada por tudo, minha linda. OBRIGADA!

1leo e ana