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Se não te importares por ti, os outros também não se importarão.

Esta foi desde sempre a conversa que os adultos decidiram ter comigo.

De início nunca percebi bem este tema de conversa, do qual me falavam disfarçadamente, nem muito menos por que razão porque é que tinham de me escolher a mim como ouvinte atenta dessa conversa. Logo a mim que apesar de, por vezes, me considerar uma “mini adulta” não percebo de muitos dos assuntos dos adultos.

Desde que nasci tenho a sensação que este tal, “tema de conversa” me persegue.

Via-o sempre em todo o lado

“Rita, Costas direitas! Não queres que faça isso por ti, pois não?”

“Rita levanta os pés! Não queres que faça isso por ti, pois não?”

“Rita! Vamos lá! Força! Tu consegues! E quando de vez em quando respondia:- Já não aguento mais! Respondiam em voz meiga e malandra:- Não queres que eu faça isso por ti pois não?”

Eu de uma maneira ao de outra, ai obedecendo às ordens deles, mas na verdade nunca percebi bem qual era a finalidade daquela lengalenga.

E sabem porque é que nunca percebi, ou melhor fiz de conta que  não percebia? Lá no fundo sempre achei, a gente ia estar cá para me aturar sempre que quisesse.

Isto parece brincadeira. Mas em termos práticos é “uma filosofia de vida” que a longo prazo me dará problemas.

Tanto a mim como a outra pessoa qualquer que tal como eu seja extremamente preguiçosa e de alguma forma comodista.

Uma coisa é certa. Descobri a tempo que sempre abusei bastante, no que diz respeito ao comodismo. Estive sempre muito mal habituada deixem que vos diga. E essa habituação nota-se mais em mim do que em qualquer outra pessoa pelo facto de não escutar os movimentos e as tarefas com tanta agilidade como elas.

Sempre usei isso como uma boa desculpa. Sou o abuso em pessoa. Ou melhor sou a “chega-me isto e aquilo” e com toda a certeza ao longo deste meu caminho ainda me aparecerão muitos que não se importarão comigo, nem sequer se atreverão a olhar para trás, para ver se por ventura, estou naquele momento a precisar de algum auxilio. Infelizmente as pessoas hoje estão assim, o único ângulo de visão é o seu umbigo.

Sei que vou ter, ou melhor tenho alguns bons amigos que para além da minha família são e serão sempre o meu maior suporte. Mas também não me estou a ver completamente dependentes deles, pois quero ser uma miúda o mais independente possível.

A notícia positiva é que não só aos poucos me estou a aperceber disso aos bocadinhos como estou a tentar e a querer à força toda mudar isso.

Tanto que em vez de me perguntarem: “não queres que eu faça isso por ti, pois não? Já me perguntam:- “Tens a certeza, absoluta que não precisas de ajuda?”

Já várias pessoas me tinham tentado fazer entender isso. Mas eu nunca tinha entendido porque também ainda não me tinha feito falta nenhuma entender.

Para já porque as pessoas á minha volta também já começavam a ficar “acomodados” com a situação e por muito que quisessem agir de outra forma comigo, também lhes faltava a coragem para me sussurrarem ao ouvido, a verdadeira realidade…e verdade seja dita, a única interessada nesse assunto da “independência era eu, os outros por muito que gostassem de mim, não podiam fazer mais nada

Acontece que agora já vejo de forma clara, sem complexos nem comodismos, este assunto.

Penso que se há momento em que devemos ser “egoístas” e críticos de nós próprios é este. Devemos pensar só em nós e no nosso futuro a longo prazo.

Imaginem só:

Sou eu adulta tenho carro, casa, família, todo e mais alguma coisa.

Um dia apetece-me pegar no carro para ir ver um concerto, mas não vou sozinha porque tenho medo e preguiça para conduzir e então decido chamar a minha mãe para fazer de minha motorista…Quer dizer por muito que adore a companhia dela. Existem coisas simples do dia-a-dia que tenho e terei de executar sozinha. E para isso será preciso muita prática e para isso tenho de começar a prática enquanto é tempo

Como é que esta mudança de ideias aconteceu?

Por várias razões, uma delas e a mais forte de todas é o facto de quer mais que tudo a minha independência, essa tal que há uns dias atrás não era necessária, mas que agora passou a ser a minha prioridade.

E não, não pensem que isto é mais uma das minhas ideias malucas porque não é! Esta é apenas a realidade que demorei tempo a perceber, mas que ainda vou a tempo de praticar e abraçar com todas as minhas forças.

Porque na verdade, se eu não me importar por mim, quem se importará?

Bora lá!

Próximo objetivo: Independência