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Isto não devia sequer ser uma realidade constatável.

Esta não devia ser a realidade de milhares de crianças que todos os dias lutam contra uma coisa que nem sabem bem o que é.

Na sua inocência própria da idade, a única coisa que percebem é que o mundo que está em seu redor é “sujo” cheio de raiva e com uma tamanha pobreza de espírito e de direitos humanos que nem dá para acreditar. É uma coisa que não só não consigo como me recuso a aceitar.

Isto não devia ser permitido. Não devíamos deixar isto acontecer.

Esta criança tem cinco anos! Nasceu e infelizmente vai crescer em clima de guerra. Com toda a certeza já sofreu muito mais do que um adulto, mas mesmo assim, não se queixa. Fica apenas vidrado e com medo a observar o mundo “cinzento” e altamente “poluído” que o rodeia. E a verdade é uma, por muito que custe ouvir, mesmo que ele pedisse ajuda não sei quem o ia ouvir…

Vai crescer naquela que é uma realidade triste, amarrotada, monstruosa, de opressão. Onde a lei do mais forte e a guerra imperam sem dó nem piedade. Como virá a ser ele como adulto?

Como esta criança, há milhares e milhares de outras a viver nesta realidade.

E se querem que vos diga, não sei o que me choca mais! Se é o olhar vidrado, triste e amedrontado desta criança, ou se é a passividade e falsa impotência com que o mundo olha para estas imagem que lamentavelmente nos vão chegando.

De que adianta ver imagens tão revoltantes, tristes e com um semblante passadíssimo como esta se depois elas acabam sempre por cair no esquecimento e mais uma vez, ninguém faz nada?

Não serve de nada! Mas também não sei como é que ainda me espanto com o egoísmo em que o mundo permanece mergulhado.

Será que ninguém percebe que é urgente arranjar uma solução? Juro que cada vez percebo menos do que vai na cabeça dos adultos…

Ao olhar para esta imagem para além de ficar extremamente triste e com cada vez menos fé no mundo, só me apetecia ter super poderes, para conseguir chegar perto desta criança e de tantas outras que infelizmente vivem esta realidade e sussurrar-lhes “Pronto já passou…está tudo bem…agora sim podes seguir sem medo”

O problema é que ainda não tenho esses super poderes nem sei se os virei a ter para lém da minha tristeza e dor solidária, portanto, só me resta continuar a gritar, bem alto, nos ouvidos dos adultos que é preciso urgentemente arranjar uma solução! Pode ser que por uma vez na vida tenham tempo para ouvir as minhas palavras.

Sim! Porque eu apesar de todas estas tristes evidências ainda não perdi a esperança e espero que eles, os adultos, também ainda não a tenham perdido, porque a união faz a força. E essa força resultante desta união, poderá ser exatamente o reflexo das mudanças que queremos para o mudo e quem sabe, elas não acontecem?