O que é a inclusão escolar?- Por Sara Castro 

Julho 3, 2017 Rita

“Fui desafiada pela Ana Rita a escrever um texto sobre a minha experiência de trabalho inclusivo (desconfio que é uma forma de ela se “vingar” dos desafios que lhe vou propondo…) Vamos a ver se estarei à altura… ?  Peço desde já desculpa pela minha fraca escrita, mas nesta altura do ano esta já quase se esgotou com tantos relatórios e atas…

Começo pela definição de Inclusão:

“Inclusão social é o conjunto de meios e ações que combatem a exclusão aos benefícios da vida em sociedade, provocada pelas diferenças de classe social, educação, idade, deficiência, gênero, raça…. Inclusão social é oferecer oportunidades iguais de acesso a bens e serviços a todos.” ( Wikipédia )

E ainda:

“A palavra “inclusão” apareceu para assinalar outra visão, surgiu com a ideia que não é só o indivíduo tem de procurar e se integrar na sociedade/ comunidade / escola mas que estas estruturas têm pelo seu lado de se modificar, de se aproximar do individuo. Não é pois correto colocar todo o ónus da inclusão na atuação do indivíduo, dado que a inclusão é um processo interativo, e assim sendo, tem que ser avaliado em duas dimensões: o que é o indivíduo pode fazer para se incluir e o que é que o “lugar da inclusão” faz para o incluir.” ( David Rodrigues in Público )

Ao longo dos meus anos de serviço como professora, várias foram as oportunidades que tive de trabalhar com pessoas com Necessidades Especiais, não apenas na escola mas também noutras instituições, como por exemplo, a Cerci Gaia. Todas essas experiências me fizeram enriquecer e crescer como profissional e pessoa e são algumas das melhores memórias que guardo.

Há sete anos atrás conheci a Ana Rita, assim como o Zé Pedro, outro aluno com Paralisia Cerebral, os dois integrados numa turma de 7ºano, da qual eu era professora de Educação Física e Oficina de Teatro. Naturalmente a inclusão faz parte das minhas funções como educadora. É fácil? Não, de todo. Esbarramos em muitas barreiras, quer materiais quer humanas. A primeira delas é o nosso comodismo e o “não saber colocar no lugar do outro”. Mas é um desafio extremamente gratificante. Sair da nossa zona de conforto, procurar soluções e alternativas para concretizar o que planeamos só pode ser positivo, quer para mim, quer para todos os alunos envolvidos.

Os vários projetos que temos desenvolvido ao longo destes sete anos, especialmente nas áreas do Teatro e da Dança, têm resultado em momentos de realização, traduzidos de forma inquestionável nos sorrisos de todos os envolvidos.

Pois que a minha função de educadora não se esgota na transmissão de matérias. Ajudar os alunos a serem melhores seres humanos é igualmente fundamental. Tento alcançar esse objetivo desafiando-os a conectar com o outro, a superar os seus limites, estimulando a criatividade e autonomia.

Vou usar novamente a “muleta” de quem escreve melhor do que eu para terminar este pequeno testemunho:

“Não podemos viver apenas para nós mesmos. As nossas vidas estão ligadas por mil fios invisíveis, e ao longo destas fibras simpáticas, as nossas ações são executadas como causas, devolvendo-nos os seus resultados.” Herman Melville

Sou grata à Ana Rita por todas as experiências que temos tido em conjunto, para as quais ela prontamente se dispõe, e por este repto de escrita. Espero não ter desiludido… ?

Até ao próximo desafio ? ?”

1 Comment

  • Parabéns à professora Sara por ter partilhado por palavras à inclusão de alunos numa comunidade escolar bastante fechada ao desafio de uma integração de facto possível.
    Somos todos diferentes e todos iguais!
    Parabéns à ti Rita, por não permitires que se nos esqueçamos de que todos juntos fazemos parte do mundo. E, que há coisas tão simples que fazem toda a diferença.
    Beijinhos <3

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