Sou mulher e tenho deficiência

Agosto 23, 2017 Rita

Entristece-me ter de dizer isto…, mas é a mais pura de todas as verdades.

 

A propósito da polémica que por aí anda a propósito do livro ridículo que a Porto Editora pôs à venda (já há algum tempo) mas só agora gerou indignação

 

Quando vi o livro, pelas fotos que andam a circular na internet nem queria acreditar. Acho que as pessoas que o fizeram não devem estar, bem localizadas no tempo e no espaço. Só pode. E se acharam que a diferença de exigência de um livro para o outro não ia ser notada, estavam muito enganados…

Aliás até chega a ser um livro ridículo. Não é nada bom perceber que nos que correm ainda se tenha de “fazer um desenho”! É que por amor de Deus! É preciso ter-se muito preconceito e ser muito machista para se fazer um livro destes.

Ainda assim não é nada que me espante, por incrível que possa parecer esta sociedade ainda vive muito assente nos preconceitos nos estereótipos e desigualdade de género

 

Já vi por aí alguns comentários, inclusivamente escritos por mulheres, em que situação em causa é desvalorizada…mas estamos a brincar o quê? A desigualdade se não for contrariada, pode acompanhar uma mulher a vida inteira e isso é de desvalorizar? Eu cá não desvalorizo!

 

Ao ver este livro, lembrei-me de tantas lutas que os meus pais já tiveram de ter por mim. E que eu, além de ser mulher tenho deficiência. Ao longo da minha vida escolar os meus pais já tiveram de pedir quase “um favor” para que eu pudesse mostrar as minhas capacidades, no mesmo nível de exigência do que os meus restantes colegas.

Sempre soube que era capaz. Mas tive sempre de mostrar isso vezes sem conta aos outros até que finalmente acreditassem em mim…e isto cansa e ao contrario do que possa parecer, “não mata, mas moí” a minha sorte no meio de tantos preconceitos foi que também tive e tenho muito boas pessoas ao meu lado e sem nenhum tipo preconceito.

 

Não consigo perceber as pessoas que não conseguem ver mais nada “para além de” e para além disso transpõem a sua franqueza para os outros…. Olham-me com compaixão. Eu como acho que não se deve olhar ninguém com compaixão, olho-as na esperança que a sua alma seja invadida por uma luz boa que talvez um dia as chame à razão.

 

Enquanto isso, não ficarei de braços cruzados. Tenho esperança que a sociedade vai mudando aos poucos, com a ajuda de quem irradia luz e não preconceito.

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