Aos meus amigos.

Abril 14, 2017 Rita

1917072_1034767726596379_4703720186138240574_nSempre convivi lindamente comigo e com o meu “bicho mau” (, apesar de não fazer de mim o que quer) de estimação chamado paralisia cerebral.

Sempre gostei daquilo que vi e continuo a ver ao espelho.

Sempre achei piada ao facto de ter uns apetrechos todos estilosos que me ajudam e facilitam a marcha. E talvez por isso, nunca tenha olhado para os outros como pessoas melhores que eu, ou até mais capazes do que eu própria. Uma coisa é certa: ninguém é igual. Mas daí até sermos uns melhores do que os outros, vai uma grande distância. Eu nunca acreditei nisso.

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E por isso também nunca fiquei revoltada por causa da minha condição que me leva a ser uma das flores mais raras no mundo inteiro e arredores!

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Ainda assim, mesmo sendo uma das flores mais raras no mundo, isso nunca foi razão plausível para que os meus pais me protegerem demasiado. Porque nunca esteve nem está nas mãos deles adivinhar se me vou desequilibrar e cair daqui a cinco minutos ou enquanto estava a escrever um texto. Mas isso tanto acontece comigo como com algum dos meus irmãos. A vida é para explorar caminhando num caminho irregular, não é para estarmos numa redoma!

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Sinceramente, na minha ótica é isso que falta a muitas pessoas entenderem. Eu de facto, não sou nenhuma boneca de vidro que me posso partir a qualquer momento. Sou tal e qual os outros, caio quando tenho de cair e levanto-me quando me tenho de  me tenho levantar. Simples assim.

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Desde que me conheço que levo isto que vos estou agora a dizer muito a sério e apesar de estar dependente dos meus pais e do resto da família e dos amigos para quase todo… (e agora ainda mais porque tenho de voltar a aprender aquilo que já estava mais do que aprendido…em relação à minha independência) não quer dizer que não os possa largar para novas aventuras. Não só posso como, agora, é isso que faço, sempre que posso e me apetece.

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Quando era mais nova, sempre que haviam festas de aniversario ou algo do género, nunca era convidada para nada…de vez em quando lá me faziam esse “favor” (como se fosse algum favor…!) e eu ficava um bocado triste como qualquer pessoa, mas acho que nunca deixei que isso me afetasse verdadeiramente.

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Ia tendo outras prioridades como conversar com alguns amigos mais adultos e coisas assim.

A algumas pessoas até pode não fazer diferença nenhuma, mas a mim fazia diferença não conviver com pessoas da minha idade…acho que gosto de viver em dos mundos em simultâneo, e faz-me bem-estar no “meio-termo” nem ser demasiado adulta e ser adolescente quando quero e quando os contextos assim o pedem.

Até há uns anos atrás, se me preguntassem se isso seria possível, eu diria que não, porque não via abertura da outra parte (das pessoas da minha idade) ainda assim, sou a favor de mudanças, aliás, a meu ver, elas fazem maravilhas!

E no meu caso, isso aconteceu mesmo.

Quando iniciei o secundário mudei de turma e novos amigos apareceram.

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E, aí percebi que me podia abrir mais e podia iniciar a convivência com pessoas da minha idade sem medo de estar a mais ou até sem medo que o facto de me terem de ajudar a deslocar-me de um sitio para o outro fosse um problema.

Não só não é um problema como é motivo de riso, uma vez que as ruas, não estão nada acessíveis, os passeios raramente têm rampas e quando têm parecem ser tudo menos isso. Ou seja, estão a ver o que acontece, certo? Ás vezes, os meus amigos têm de pegar na cadeira a peso (comigo em cima, que não sou nada leve) e assim coisas do género…! Ou seja, já nem precisam de ir ao ginásio. Ahahah!

Uma simples saída à rua, para mim e para as pessoas que me acompanham, é uma verdadeira aventura, que nem conseguem imaginar.

Mesmo assim, não trocava essa aventura por nada.

E para mim é bom saber que os meus colegas e amigos também não a trocam por nada e ainda por cima aturam o meu mau feitio. Eles podiam ir sem mim, mas vão comigo não porque devem, mas porque querem ir, e isso ainda me faz voar mais alto.

Este texto é dedicado aos meus amigos, como não podia deixar de ser, e a todos os que passam ou já passaram por aquilo que descrevi neste texto. Como vêm nada é impossível e as mudanças podem e devem acontecer e só trazem coisas boas. Por isso, não se preocupem muito, porque as mudanças e as coisas boas que nos preenchem ainda mais a alma e o coração acabam por acontecer. Acreditem! Sem medo e com vontade de voar e de ter novas experiências.

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