Um saco cheio de tudo e mais alguma coisa que só tem vontade de rebentar.

Ás vezes é assim que vejo a minha alma. Isso não quer, no entanto, dizer que me entreguei a outro saco sem fundo: o “saco” da tristeza. Até porque se há coisa que não fiz foi isso. Recuso-me a aceitar que as dores me dominem. E tenho uma vida para viver de forma intensa não suave, por isso é mandar as dores e o sofrimento (mais o medo que tenho de o sentir) darem uma volta.

Acho que nunca tive tanta noção do sofrimento. Do meu próprio sofrimento como nestes últimos tempos.

Não tenho dúvida de que quando estamos perante fases verdadeiramente complicadas em que as dores (físicas) estão camufladas por medicação da mais forte que há, e as dores psicológicas ficam escondidas e aconchegadas num simples “vai correr tudo bem” não nos apercebermos da realidade que estamos a viver.

Aliás, só temos capacidade e para entender e suplicar por uma coisa: não sofrer mais, porque pensamos nós que já não aguentamos nem mais um segundo numa condição que pode ser de todos menos de nós próprios.

Pensei nisto, mesmo muitas vezes nos dias em que as dores eram mais e me faziam sofrer, mesmo que a medicação e a musica (muita música) as fizesse diminuir.

As dores, entretanto, começaram a dissipar-se, os agrafos (tantos) foram retirados e eu comecei a   fazer a recuperação… a exercitar os músculos a caminhar a fazer alongamentos, a ir á escola e fazer progressos cada que cada dia são melhores.

Não é opção desistir. Confesso que ás vezes, me passa isso pela cabeça, mas depois percebo que se queria tomar essa decisão devia ter tomado antes. Por esta razão, continuo com força, resiliência e determinação. Mas esgotada, até agora ainda não consegui arranjar um equilíbrio entre as dores que já vivi e as dores colaterais que vivo agora.

Toda a gente me diz que isto que estou a viver agora não tem compara aquilo que já vivi. Até pode não se comparar eu já nem sequer me lembro bem das dores horrendas que já tive…Ainda assim, tenho memória suficiente para dizer que não quero sofrer mais e até que começo a ficar farta disto. Mas depois, como não tenho outra opção possível, vou mais uma vez, à luta.

Adoro o meu fisioterapeuta (ele sabe bem disso) mas confesso que nunca tive tantos pesadelos com a fisioterapia como tenho agora. Só de pensar que o facto e dar cabo de umas quantas contraturas me vai doer, o meu cérebro entra, literalmente, em corte circuito…

Chego a um ponto que já nem o meu “talento” de cantar as musicas muito alto e de forma bastante desafinada, me vale. O desespero e a impaciência invadem-me a alma, e aquilo que podia doer menos com um bocadinho se eu estivesse  calma, dói mais, muito mais. E o sofrimento por não conseguir controlar o choro nem a impaciência volta por algum tempo. Pelo menos o tempo de duração da fisioterapia.

Quando acaba? Parece que estava a gozar com toda a gente porque me começo a rir do meu próprio choro e dos meus ricos olhos que de tanto chorar ficaram “olhos de chinesa” (Está visto que noutra vida devo ter sido chinesa, só pode! Aahaha)

Porque é que devemos mostrar aos outros que não é tudo um mar de rosas? Porque de facto não é.  e o precisamente por estar a admitir isso da minha própria vida demostra que independentemente de todo vou estar sempre bem resolvida com o mundo e com a vida por mais medo e angústias que possa vir a ter.

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