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Ás vezes gostava de saber o que é que as pessoas que não têm complicações nenhumas na vida, alegam, para estarem sempre a reclamar do mundo.

Gostava mesmo de entender.

E sinceramente gostava de poder ser como elas. Isso, era sinal que me queixava de tudo, mas na verdade, a única coisa que tinha era “uma unha encravada” (Agora a sério, as unhas encravadas doem muito!)

Mas não. Sou o oposto. Não me queixo.

Sou a miúda que acha que não tem nada, e tenho algumas coisinhas bem chatas que ultrapassam em larga escala as coisas simples ( são dolorosas, acreditem!) unhas encravadas.

Passados quase dois meses de uma cirurgia que dizem ser a mais “nobre” de ortopedia e teve a duração de “só” seis horas e meia…coisa pouca, tenho consciência plena de todo aquilo que vivi naquele quarto de hospital, nos primeiros dias em que vim para casa. Eram dores, só dores, das quais eu não via o fim. Eram bem persistentes (e eu também!)  noite e dia…dia e noite, não paravam nem um segundo

Quem podia manda-la embora? Eu e os medicamentos.

E assim se passaram, os segundos, os minutos, e as horas.

Agora os dias já mudaram de figura, as dores já mudaram de tom, ás vezes nem me lembro que tenho um “fecho-ecler” na coluna. Agora as dores já são diferentes, são pós cirúrgicas. Os meus músculos estão mais preguiçosos que nunca e também estão tão duros que parecem pedra. Há dias, como o de hoje, que nem sequer me consigo mexer. As sessões de fisioterapia são divididas entre o cantar desafinada a musica da Rita Redshoes (ainda bem que agora não há cassetes se não a fita já tinha rebentado de tantas vezes que carrego no play!) e entre a cantoria, faço uma gritaria descumunal porque basta o facto do meu fisioterapeuta tocar-me na zona em que os músculos estão contraídos, e lá estou eu aos berros de dor. Dor essa que leva quase ao desespero. Mal me tocam com uma mão que seja…parece que estão a partir pedra com um martelo. Ahahah (dá mais vontade de chorar do que rir)

Toda a gente que me vê, inclusivamente médicos, dizem que para a operação a que fui submetida, estou uma maravilha, um trabalho de génios da medicina.

Mas eu tenho sempre uma vontade enorme que isto passe depressa, e só cá para nós, já não aguento mais.

Tenho de programar os meus horários da escola porque não consigo aguentar um dia inteiro de aulas. Tenho de organizar o estudo para estar sempre a par da matéria. Tenho de ver quando posso sair para ir passear com os meus amigos (adoro…e domingo já fiz isso ás escondidas das minhas dores…chiu! não lhes digam nada), porque o meu corpo ainda não está apto a grandes aventuras. Tenho de me esquecer, o quão a minha vida social está desinteressante neste momento. Ahahahah :P!

Conclusão: Tenho mesmo de não me esquecer que há vidas bem piores que a minha.

Como é que esta informação se processa na mente de uma miúda de 17 anos!? Com alguns choros algum mau feitio, e sorrisos em dobro!

Estou ansiosa que passe esta fase e que chegue outra bem melhor.

(desculpem o desabafo)