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Sempre fui uma rapariga que agarrou tudo (ou quase tudo) com bastante garra e determinação.

De todas as vezes que não consigo aperceber-me que a determinação está diante dos meus olhos, tenho sempre alguém que corre para mos abrir,  fazendo perceber que a determinação está lá, ou melhor, sempre lá esteve.

A determinação é descoberta nas coisas mais complexas da vida…! E por isso devemos ter sempre “ferramentas” para não a perder de vista, eu é que me distraí.

Sejam os meus amigos imaginários ou as “minhas” pessoas reais que me rodeia, eu vou sempre arranjando forma de sentir que fisicamente ou simplesmente espiritualmente estou de mão dada com alguém, nem que por vezes, esse alguém seja só uma “doidice” virtual da minha fértil imaginação.  Esse é um dos kits S.O.S para que a determinação não me fuja por entre os dedos quando estou distraída na minha existência. Também verdade seja dita! Ela fica sempre perto de mim porque, os meus mais que tudo, estão sempre lá por perto, e lá me vão ajudando a agarrar essa determinação com garra.

Adoro quando esses…os meus mais que tudo, me dão as mãos e me ajudam a ultrapassar os obstáculos. Principalmente se for nos momentos de maior dor, nunca mais me largam as mãos. Deixam-nas bem fortes interlaçadas nas minhas para me fazem perceber que a tempestade vai passar.

E não é que passa mesmo?

O que eu nunca pensei é que isso pudesse acontecer, com uma pessoa (linda por dentro e por fora) e que nunca nos tínhamos visto. Não sabíamos o nome nem a identidade uma da outra…mas demos as mãos como velhas amigas.

Andava a adiar este texto porque me recorda a dor, logo na primeira noite, depois da operação, para além de ter sido passada cheia de medicação para enganar essas dores horríveis, foi também uma noite passada sem a minha mãe por perto.

Eu acordei a saber que estaria algures, ali pelos cuidados intermédios, mas sentia-me mais perdida que nunca. Só via escuro, e não conseguia sequer ter capacidade de análise para ver quem podia chamar… estava mesmo a entrar num tal pânico que nem me estava a reconhecer.

Foi então que decidi tocar na campainha, de forma insistente, para que a enfermeira, viesse ao pé de mim.

Não me lembro do que lhe disse, nem muito menos, quais eram as minhas “queixas”. A única coisa que sei é que estava completamente fora de mim.

Ainda assim, lembro-me como se fosse hoje, daquilo que ela me disse, já de mãos dadas comigo: “Que foi, minha princesa? Dorme. Estou aqui contigo e está tudo bem”

E eu lá tentava adormecer e ela lá tentava soltar a mão dela da minha…! Nem dez minutos conseguia dormir seguidos e lá chamava a enfermeira novamente.

Aquela de voz doce que me chamava princesa, mas que eu nem sequer o seu nome sabia.

E ela lá vinha e voltava a fazer a mesma coisa.

A certa altura, depois de a mesma “cena” se ter repetido vezes sem conta…Ela, a menina da voz doce e mãos macias, percebeu que o melhor mesmo era não sair mais dali.

E a partir daí, percebi mesmo que estava segura. E o meu lado de miúda que adora falar, veio ao de cima e o dessa tal menina doce e enfermeira, a Juliana, também.

Com as dores mais domesticadas e a alma bem mais calma, o resto da noite foi de conversa a duas.

E sempre, sempre de mão dada, como as amigas inseparáveis. Amizade feita na dor e no conforto da noite escura fez-se de confiança.

Sei lá eu, descobrimos tantas coisas em comum. Falamos das nossas aventuras e desaventuras. Falamos de vida e determinação, das nossas conquistas. De nós. De tudo e nada.

Essencialmente, ficamos as duas, com a sensação que já nos conhecíamos desde sempre.

Engana-se quem pensa que não podemos mudar o mundo de alguém. Isso, por incrível está sempre ao nosso alcance. A Juliana, naquela noite, limpou-me as lágrimas, serenou-me a alma e entregou-se, mais uma vez de corpo e alma à sua profissão e de certa forma a mim também porque partilhou um bocadinho de si, com quem nunca tinha visto antes.

Por isso tenho de lhe agradecer, por isso! A ela, e as restantes enfermeiras que estiveram comigo.

Á enfermeira Irene (para além e ter aturado o meu mau feitio, salvou-me a vida a mim e ao meu cateter, e deu-me muito mimo)

Á enfermeira Marlene (pela sua boa disposição e jeito especial a domesticar o meu mau feitio, nos dias em que esteve no seu auge)

Á enfermeira Paula (pela boa disposição, pelo carinho e pela paciência comigo)

Cruzei-me com muitos enfermeiros enfermeiras e auxiliares ao longo da minha estadia de oito dias no “hotel (hospital de Santo António)” e gostava de me lembrar de mais nome dessas pessoas que foram tão queridas comigo.

Aos que não me lembro do nome, sabem que estou também a falar deles porque quem faz o bem e ajuda a menorizar a dor sabe, que ao dar a mão está a confortar como um sereno sedativo da alma dorida e em ferida aberta. Obrigado a todos os que me ajudaram. Agora que já passou um mês e meio, dessa(as) noite(es) escura, só me recordo das coisas boas, das conversas, do carinho.