13 anos depois-Aos olhos da Rita

Ontem foi dia de fazer uma visita ao centro de paralisia cerebral de Coimbra.

Vou lá de vez  em quando porque tem de ser e porque também gosto de matar as saudades que são sempre muitas.

Não me lembro da primeira vez que entrei aqui. Mas olhando para o passado  e vendo como me encontro  no presente, tenho a certeza que os meus pais quando entraram neste sitio pela primeira vez devem ter respirado bem fundo…

Digo isto porque os primeiros anos de vida de uma pessoa com algum tipo de deficiência ou diferença não são nada fáceis.  

Primeiro porque o desconhecido tal com o nome indica, é o vazio. 

Imaginem só que colocavam sozinhos,  numa rua escura, com um labirinto  que nem livro de instruções contem…Conseguem imaginar como se sentiam de que forma é que poderiam encontrar uma saída?

Suponho que não me consigam dizer nada. Nem como se sentiriam nem com iam sair do labirinto.

É exatamente assim que os pais que se veem confrontados com este tipo de situações e diferenças, se sentem. Perdidos. Sem chão. Apenas com uma última esperança de que algum milagre aconteça.

Como se tudo isto não fosse suficiente têm ainda,  de saber reagir bem (senão passam por ser mal educados) ao olhares discriminatórios da sociedade e das próprias pessoas à sua volta. E finalmente, mas não menos importante (de todo) devem aprender a saber processar a informação e os palpites milagrosos que toda a gente dá. “Ah…Eu vi não sei o quê na televisão que é a cura” “o filho de não sei quem fez um tratamento  milagroso não sei a onde e resultou! Talvez devam tentar também! não acham?”

Como é que possível gerir-se este tipo de comentários e dicas quando a esperança é a última a morrer e tudo pode ser a salvação? 

Não se consegue e deixam-nos ir pela emoção e pela esperança que neste momento é a única coisa que para além e ser preciosa se encontra inabalável.

A esperança na verdade, não vem em forma de cura, ainda assim começa a desenhar e a ganhar forma a partir do momento em que as pessoas certas, simples e práticas (sim! se a coisa que uma pessoa não deve conseguir ser nesta fase é racional…pois tudo é movido por emoções sejam elas quais forem) se cruzam no nosso caminho que até ai impunha muito respeito e medo do desconhecido já começa a desaparecer por entre a luz que dá determinação e alento para novos dias.

17 anos depois, 13 dos quais, com uma equipa multidisciplinar extraordinária que me deu tudo de si e que também me fez sempre até ao dias de hoje,   dar tudo tudo de mim..Reconheço que este caminho parece e é mesmo duro e sombrio mas é também um caminho onde todas as conquistas e momentos felizes servem para dar luz e coordenadas à esperança  e determinação que faz mover  montanhas e sorrisos genuínos com uma sede enorme de VIDA.

Por isto tudo e muito mais…É sempre bom voltar ao sítio onde me deram as ferramentas para me superar cada vez mais e onde sempre acreditaram que ai ser capaz de tudo.
Bastava ser persistente e ter determinação, de resto tinha os meus pais e uma equipa de excelentes profissionais para me acompanhar e apoiar.
Sou acompanhada por esta equipa desde os meus 4/5 anos e à medida que vou crescendo as necessidades mudam mas gosto sempre de saber que esta equipa gosta de acompanhar as minhas conquistas e até me ajudam em diversas decisões e ultrapassar alguns obstáculos.
E pensar que vinha aqui pelo menos uma vez por semana durante alguns anos e convivi com pessoas que se tornaram a amigos
À minha espera tinha sempre o colo e o sorriso doce da terapeuta Cristina. Qual é o meu espanto quando descubro que até já estou maior que ela. <3 

Este texto é especialmente dedicado a esta equipa que sempre cuidou e cuida de mim da melhor forma possível e do fundo do coração <3  .  

E também com os desejos de que tudo corra bem e principalmente  que  a esperança mova montanhas que reflitam luz carregada de esperança, dedico este texto, do fundo do meu coração, a todos os pais e filhos que estão agora a iniciar este caminho duro, sombrio e que parece limitado por tudo e todos, para que percebam que não estão sozinhos na luta e preciosa resiliência. Pode custar a acreditar, mas num futuro que parece longe mas estará cada vez mais perto, o esforço a  tal vontade e persistência, transformar-se-ão em luz esperança e novas conquistas risonhas.

tenham coragem e nunca percam a esperança e intuição de que tudo vai dar certo. porque dará mesmo tudo certo garanto-vos 

Um beijinho grande

Espero-vos no próximo texto

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6 comentários em “13 anos depois-Aos olhos da Rita

  1. Detty

    Tanta coisa para dizer…se calhar é melhor tanta coisa para sentir <3
    Resume-se a AMOR na forma de UM
    És sem duvida a Rainha das Borboletas 🙂

  2. isabel

    Obrigado pelo teu testemunho e experiência partilhada, pois a vida são desafios e quem não os tem?! O importante é enfrentá-los e nunca desistir, pois se cá-estamos-fazemos-falta. <3 …

  3. Maria Filomenada Silva

    ò Rita tu és única e maravilhosa…disseste tudo e mais ainda…Tanto, que só me apetece agradecerte pelo teu carinho e incentivo a todos aqueles que passam por esses processos complicados.Felicidades e que os teus sorrisos continuem a contagiar-nos .contua Voar linda Borboleta.Abracinho

  4. Sofia

    Rita continua o teu caminho com todas as tuas forças, tu e a tua família merecem com certeza e nunca desistas de ser feliz e também continua a dar esperança a quem precisa, Adorei a tua mensagem!

  5. Mané

    Rita és uma força da natureza, vais ajudar com a tua felicidade muitas famílias.
    Adoro as tuas mensagens Felicidades para ti e para todos os que te apoiam beijinhos

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