​Este é (supostamente) o limite

​Este é (supostamente) o limite. 

 O pensamento, que especialmente nos últimos dias, me tem assombrado, vezes sem conta, a alma é este mesmo, dor no limite.

Lá ando embrulhada em dores emocionais e também algumas (cada vez menos) físicas. Estou impaciente, sem tempo para dar ao tempo, e achar que não aguento nem mais um segundo…o que me custa nem vos digo.

Gabo a capacidade das pessoas que estão mais perto de mim e também da equipa médica que me operou, fazem de tudo para compreender todas a dores que agora tenho. Reconheço que nem toda a gente tem essa capacidade, logo, só por isso sou um rapariga sortuda, eles em conjunto, tentam ajudar-me sempre da melhor forma possível. 

Mas na verdade, isto não é um processo nada fácil para ambas as partes. Nem para mim nem para a minha família e amigos mais próximos que estão comigo em permanência e já não me consegue ver sofrer mais.

Cada dia melhoro um bocado, e as melhoras, verdade seja dita, têm sido bastante notórias.

Sim, eu sei bem que isto me vai devolver a qualidade de vida que já há algum tempo não tinha, e também já estou farta de ouvir dizer que a pressa é inimiga da perfeição, ainda assim, porra!

Não me peçam, para não desanimar. 

Não me peçam, para não chorar. 

Não me peçam, para forçar o sorriso, porque ele volta nas horas em que tiver de voltar.

Não me peçam, para fazer de conta que estou no país das maravilhas, quando só estou a ver nevoeiro ou nuvens mais negras. 

E não eu também não vos vou dizer que a escolha que tenho feito é uma escolha fácil de fazer. Mas também, das duas uma, ou ficava parada e quieta á espera e que as dores acabassem e também as evoluções fossem seguindo sozinhas, ou então de forma determinada dessa luta e com a consciência de que já não dá para voltar atrás. O que me custa…porém, é sempre preferível fazer a escolha de entre choros e também risos compulsivos e algumas (para não dizer muitas) dores físicas, sempre com alguma dificuldade e com a ajuda da minha família, e lá vou dando pequenos passos, literalmente, seguindo em frente. Esta é a única maneira de reaprender de novo tudo (mesmo tudo) e vencer.

Vencer no sentido de ter a capacidade de perceber que por muito que custe, esta é única escolha que neste momento posso fazer, sinto-me bem resolvida e privilegiada porque nem todos nós conseguimos chegar a esta conclusão. Eu consegui. E só por isso já tenho vindo a conquistar um novo mundo, todos os dias e a todas a horas.

E, depois também há outra coisa! Desde quando é que uma miúda que cresceu quase cinco centímetros em seis horas e meia se pode queixar? 

Cresci com dor (uma dor que continua se bem que a diminuir) mas não paro de lhe dar luta. Como vos dizia vou chorando, sorrindo, ultrapassando as minhas limitações.

Afinal, com operação difícil, limitações ou não! Não é com choro e sorrisos que a vida se faz? Eu cá continuo a minha ainda em convalescença.

RB

12 comentários em “​Este é (supostamente) o limite

  1. Maria Filomenada Silva

    Oh Rita …como «dói» sentir o quanto tem sido esse processo…com muita dor e frustração mas…aí está a princesa Determinação…e não ficará nada por fazer para que isto seja um exito.Porra… sim senhora que não há paciência que aguente..!Isto dizemos nós aqui no Alentejo e dizes tu querida Rita com todo o direito.Porque elas não matam mas moem…as dores, sim essas maganas,mas vão acabar por se ir embora .Agora mais crescida …é só uma questão de tempo e já nem te lembras delas…Abração do fundo do meu coração.

  2. isabel

    Força! Coragem! Que 2017 te Sorria e te leve todas essas dores para longe de ti, transmutando em bênçãos a teu favor! Bom Ano!

  3. Judite

    Ó Rita és única. Consegues não perder o sentido de humor e a capacidade de ironizar com o teu sofrimento
    Já passei por momentos complicados de saúde e consegui não me vitimizar mas confesso que me sinto envergonhada perante tanta coragem.
    Como é bom conseguires verbalizar tudo o que sentes.
    Aguenta guerreira vais conseguir passar por mais esta batalha. Beijo com muita mas muita admiração

  4. Isabel Antunes

    Rita, grande Rita, vais superar todas as dores, estou certa! Beijinhos.

  5. Joana

    Olá Rita! Desde já obrigada por partilhares a tuas lutas e determinação. Eu trabalho com crianças com paralisia cerebral em Londres diariamente e os teus textos ajudam-me a perceber um pouco mais como é estar do outro lado e talvez a ser uma melhor fisioterapeuta por isso. Que operação tiveste? Espero que as dores desapareçam depressa e que assim comeces a sentir e a viver os benefícios da operação.

  6. Ana Paula Ataíde

    Li com atenção, sem pena, sem chorar, e percebi como cresceste, não só fisicamente, mas como pessoa, fazes jus aquilo que se costuma dizer “crescer dói”… Posso dizer tsnta coisa bonita a teu respeito, mas vou repetir tantos outros comentários…então quero dizer-te – Obrigada . Obrigada por fazeres da diferença a tua principal arma e qualidade, e do sofrimento que ironicamente ele te trás, o teu Sorriso

  7. Ana Paula Ataíde

    Li com atenção, sem pena, sem chorar, e percebi como cresceste, não só fisicamente, mas como pessoa, fazes jus aquilo que se costuma dizer “crescer dói”… Posso dizer tsnta coisa bonita a teu respeito, mas vou repetir tantos outros comentários…então quero dizer-te – Obrigada . Obrigada por fazeres da diferença a tua principal arma e qualidade, e do sofrimento que ironicamente ele te trás, o teu Sorriso

  8. Isabel vaz

    Rita como és uma menina tão forte tens uma coragem de louvar. Como me sinto pequena por ter medo de arrancar um dente !! Bj e rápidas melhoras

  9. Ana

    Olá Ritinha! Oxalá o ano de 2017 te traga o que mais desejas. Mereces pela tua força e coragem. Abraço.

  10. Anita Vpa

    Ritinha, muita força e coragem. Chorar é preciso e faz bem à Alma! Que tenhas um Ano Novo cheio de tudo o que mereces. Beijinho, Ana

  11. Ana Luísa

    Olá Rita, conheço bem a tua dor, também eu cresci quase 5 centímetros em 7 horas. Revejo esses dias em cada uma das tuas palavras. Segundo a minha experiência, se te servir de algum consolo, cada dia é sempre melhor que o anterior, sempre. Há sempre um pouco menos de dor, um pouco mais de movimentos (embora por vezes não pareça). Hoje, passados 16 da minha primeira cirurgia (sim, fiz duas, mas é raro não te preocupes.) estou bem, faço uma vida mais normal do que muita gente, sou mãe e sobretudo não vejo esta minha condição como limitativa na minha vida. Não consigo correr, ando mais depressa. Não posso levantar pesos num ginásio, ufa que alivio. Temos que ver o lado bom das coisas, sempre, para tudo nesta vida. Beijinho grande e paciência nesta hora, tem de ser ?

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